Quando o carro não liga mesmo com a bateria boa, a causa está no caminho entre a bateria e o motor, no comando da partida ou no que o motor precisa para pegar: motor de arranque, bornes oxidados, relé, imobilizador, combustível ou ignição. O jeito de separar as causas é observar o que acontece na hora da partida e fazer dois testes simples, que você consegue sem abrir nada.
Primeiro, descubra se a bateria está mesmo boa
"Tem bateria" não é o mesmo que "bateria com carga". Antes de culpar outra peça, confirme:
- o painel acende com brilho normal ao ligar a ignição?
- o som da partida tem força, ou é fraco e arrastado?
- há outra pessoa por perto que possa testar com uma chupeta, para descartar a bateria?
Se a bateria for nova e testada, passe adiante. Se for velha, o teste a seguir ajuda a confirmar.
Teste do farol durante a partida
Este é o teste mais útil que você pode fazer em casa. Com o carro parado em local seguro, freio de mão puxado e câmbio em ponto morto ou P:
- ligue os faróis baixos com o motor desligado e observe a intensidade;
- peça a alguém para girar a chave ou apertar o botão de partida enquanto você olha os faróis;
- note o que acontece com a luz.
Como ler o resultado:
| O que o farol faz na partida | O que costuma indicar |
|---|---|
| Apaga ou cai muito de brilho | Bateria fraca ou mau contato forte nos bornes e cabos |
| Fica firme e nada gira, só um clique | Motor de arranque, relé ou contato no comando da partida |
| Fica firme e o motor gira normal, mas não pega | Falta combustível, ignição ou sinal de sensor, não é elétrica de partida |
| Fica firme e não há nem clique | Comando da partida sem chegar: interruptor, relé, imobilizador ou fusível |
O farol não substitui o diagnóstico, mas mostra de que lado está o problema. A queda de brilho aponta para a alimentação; luz firme sem giro aponta para o que vem depois dela.
Bornes oxidados e queda de tensão nos cabos
Borne sujo ou frouxo deixa a bateria boa parecer fraca. A corrente da partida é alta, e qualquer resistência no caminho a derruba antes de chegar ao motor de arranque.
O que dá para fazer sem risco:
- olhar os bornes: pó branco ou azulado, sinal de oxidação, ou folga ao tentar movê-los com a mão (com o carro desligado e a chave fora);
- verificar o cabo negativo, que vai ao chassi ou ao bloco do motor, e o positivo, que segue ao motor de arranque: sem fios expostos, sem cobre esverdeado.
A queda de tensão é a medida que mostra esse problema. Com um multímetro em escala de tensão contínua, o eletricista automotivo mede entre o polo da bateria e a pinça, e entre a pinça e o cabo, enquanto alguém dá a partida. Uma diferença sensível entre as leituras indica resistência no contato, mesmo que o borne pareça limpo por fora. Como o valor varia por carro e a medição é feita perto do motor em funcionamento, deixe a medição para quem tem prática. A tensão da bateria em repouso também é medida por ele ou pela loja: perto de 12,6 V indica carga completa, e bem abaixo disso, bateria descarregada.
A limpeza dos bornes com a bateria desconectada segue regra: tire primeiro o cabo negativo e recoloque por último, sem deixar a ferramenta encostar em duas partes metálicas ao mesmo tempo.
O som da partida diz muito
| Som ao dar a partida | Causa possível |
|---|---|
| Um clique seco e nada mais | Motor de arranque, solenoide ou contato nos cabos |
| Vários cliques rápidos | Bateria sem carga suficiente ou mau contato |
| Giro forte, normal, sem pegar | Combustível, ignição ou sensor |
| Giro arrastado e lento | Bateria fraca, cabos ruins ou motor de arranque cansado |
| Nenhum som | Relé, fusível, interruptor, imobilizador ou cabo solto |
Motor de arranque e relé
O motor de arranque é um motor elétrico que gira o motor do carro na partida. Com o tempo, as escovas e o solenoide se desgastam, e a peça passa a falhar de forma intermitente: um dia liga, no outro dá só um clique. Um sinal clássico é o carro ligar depois de várias tentativas, ou depois de esperar algum tempo.
O relé de partida e os fusíveis ficam na caixa do cofre do motor ou sob o painel. Você pode olhar a caixa e ver se há fusível queimado indicado no manual. Trocar fusível por outro igual, com o carro desligado, é simples; o relé fica com o técnico. Se o fusível queimar de novo, não insista: ele queimou por algum motivo.
Bater no motor de arranque com ferramenta, truque antigo, é desaconselhado e perigoso perto de peças móveis e fios. Deixe para o eletricista.
Imobilizador: quando o carro não reconhece a chave
O imobilizador bloqueia a partida se a chave não for reconhecida. Os sinais mais comuns: luz de chave ou de carro com cadeado piscando no painel, motor que gira e apaga em seguida, ou comando de partida que simplesmente não responde.
Tente a chave reserva, tire outras chaves e chaveiros do mesmo chaveiro e verifique a pilha do controle em carros com partida por botão. Se nada mudar, a programação é feita por técnico ou concessionária.
Combustível e ignição
Se o motor gira normal, mas não pega, o problema deixa de ser a partida. As causas possíveis incluem tanque vazio com marcador impreciso, bomba de combustível sem funcionar, filtro entupido, combustível adulterado, bobina ou vela com defeito e sensor de rotação ou fase com falha. Ouvir o zumbido da bomba por alguns segundos ao ligar a ignição, antes da partida, é um indício de que ela está funcionando, mas isso varia por modelo.
Insistir com a partida nesses casos só descarrega a bateria e pode afogar o motor. Faça pausas entre as tentativas.
Quando chamar um técnico
Procure o eletricista automotivo ou o socorro quando:
- o farol segue firme e o motor de arranque só dá clique ou nada;
- o carro liga e desliga conforme o dia, sem padrão, sinal clássico de contato ruim ou peça no fim da vida;
- o imobilizador não reconhece a chave reserva;
- você sente cheiro de queimado, vê fumaça ou fios com isolamento derretido;
- a bateria foi testada e está boa, mas o carro não responde.
Na visita, peça que o técnico faça o teste de queda de tensão nos cabos, teste o motor de arranque e o relé, e diga qual peça falhou antes de trocar. Se for preciso levar o carro, o guincho com plataforma evita arrastar o carro com as rodas travadas ou com o câmbio em condição ruim.
Se o carro apagou na rua, é mais seguro pedir o reboque do que ficar tentando a partida: cada tentativa gasta bateria que o eletricista vai precisar ver em condição normal para fazer o diagnóstico.