Quando o carro não liga mesmo com a bateria boa, a causa está no caminho entre a bateria e o motor, no comando da partida ou no que o motor precisa para pegar: motor de arranque, bornes oxidados, relé, imobilizador, combustível ou ignição. O jeito de separar as causas é observar o que acontece na hora da partida e fazer dois testes simples, que você consegue sem abrir nada.

Primeiro, descubra se a bateria está mesmo boa

"Tem bateria" não é o mesmo que "bateria com carga". Antes de culpar outra peça, confirme:

  • o painel acende com brilho normal ao ligar a ignição?
  • o som da partida tem força, ou é fraco e arrastado?
  • há outra pessoa por perto que possa testar com uma chupeta, para descartar a bateria?

Se a bateria for nova e testada, passe adiante. Se for velha, o teste a seguir ajuda a confirmar.

Teste do farol durante a partida

Este é o teste mais útil que você pode fazer em casa. Com o carro parado em local seguro, freio de mão puxado e câmbio em ponto morto ou P:

  1. ligue os faróis baixos com o motor desligado e observe a intensidade;
  2. peça a alguém para girar a chave ou apertar o botão de partida enquanto você olha os faróis;
  3. note o que acontece com a luz.

Como ler o resultado:

O que o farol faz na partida O que costuma indicar
Apaga ou cai muito de brilho Bateria fraca ou mau contato forte nos bornes e cabos
Fica firme e nada gira, só um clique Motor de arranque, relé ou contato no comando da partida
Fica firme e o motor gira normal, mas não pega Falta combustível, ignição ou sinal de sensor, não é elétrica de partida
Fica firme e não há nem clique Comando da partida sem chegar: interruptor, relé, imobilizador ou fusível

O farol não substitui o diagnóstico, mas mostra de que lado está o problema. A queda de brilho aponta para a alimentação; luz firme sem giro aponta para o que vem depois dela.

Bornes oxidados e queda de tensão nos cabos

Borne sujo ou frouxo deixa a bateria boa parecer fraca. A corrente da partida é alta, e qualquer resistência no caminho a derruba antes de chegar ao motor de arranque.

O que dá para fazer sem risco:

  • olhar os bornes: pó branco ou azulado, sinal de oxidação, ou folga ao tentar movê-los com a mão (com o carro desligado e a chave fora);
  • verificar o cabo negativo, que vai ao chassi ou ao bloco do motor, e o positivo, que segue ao motor de arranque: sem fios expostos, sem cobre esverdeado.

A queda de tensão é a medida que mostra esse problema. Com um multímetro em escala de tensão contínua, o eletricista automotivo mede entre o polo da bateria e a pinça, e entre a pinça e o cabo, enquanto alguém dá a partida. Uma diferença sensível entre as leituras indica resistência no contato, mesmo que o borne pareça limpo por fora. Como o valor varia por carro e a medição é feita perto do motor em funcionamento, deixe a medição para quem tem prática. A tensão da bateria em repouso também é medida por ele ou pela loja: perto de 12,6 V indica carga completa, e bem abaixo disso, bateria descarregada.

A limpeza dos bornes com a bateria desconectada segue regra: tire primeiro o cabo negativo e recoloque por último, sem deixar a ferramenta encostar em duas partes metálicas ao mesmo tempo.

O som da partida diz muito

Som ao dar a partida Causa possível
Um clique seco e nada mais Motor de arranque, solenoide ou contato nos cabos
Vários cliques rápidos Bateria sem carga suficiente ou mau contato
Giro forte, normal, sem pegar Combustível, ignição ou sensor
Giro arrastado e lento Bateria fraca, cabos ruins ou motor de arranque cansado
Nenhum som Relé, fusível, interruptor, imobilizador ou cabo solto

Motor de arranque e relé

O motor de arranque é um motor elétrico que gira o motor do carro na partida. Com o tempo, as escovas e o solenoide se desgastam, e a peça passa a falhar de forma intermitente: um dia liga, no outro dá só um clique. Um sinal clássico é o carro ligar depois de várias tentativas, ou depois de esperar algum tempo.

O relé de partida e os fusíveis ficam na caixa do cofre do motor ou sob o painel. Você pode olhar a caixa e ver se há fusível queimado indicado no manual. Trocar fusível por outro igual, com o carro desligado, é simples; o relé fica com o técnico. Se o fusível queimar de novo, não insista: ele queimou por algum motivo.

Bater no motor de arranque com ferramenta, truque antigo, é desaconselhado e perigoso perto de peças móveis e fios. Deixe para o eletricista.

Imobilizador: quando o carro não reconhece a chave

O imobilizador bloqueia a partida se a chave não for reconhecida. Os sinais mais comuns: luz de chave ou de carro com cadeado piscando no painel, motor que gira e apaga em seguida, ou comando de partida que simplesmente não responde.

Tente a chave reserva, tire outras chaves e chaveiros do mesmo chaveiro e verifique a pilha do controle em carros com partida por botão. Se nada mudar, a programação é feita por técnico ou concessionária.

Combustível e ignição

Se o motor gira normal, mas não pega, o problema deixa de ser a partida. As causas possíveis incluem tanque vazio com marcador impreciso, bomba de combustível sem funcionar, filtro entupido, combustível adulterado, bobina ou vela com defeito e sensor de rotação ou fase com falha. Ouvir o zumbido da bomba por alguns segundos ao ligar a ignição, antes da partida, é um indício de que ela está funcionando, mas isso varia por modelo.

Insistir com a partida nesses casos só descarrega a bateria e pode afogar o motor. Faça pausas entre as tentativas.

Quando chamar um técnico

Procure o eletricista automotivo ou o socorro quando:

  • o farol segue firme e o motor de arranque só dá clique ou nada;
  • o carro liga e desliga conforme o dia, sem padrão, sinal clássico de contato ruim ou peça no fim da vida;
  • o imobilizador não reconhece a chave reserva;
  • você sente cheiro de queimado, vê fumaça ou fios com isolamento derretido;
  • a bateria foi testada e está boa, mas o carro não responde.

Na visita, peça que o técnico faça o teste de queda de tensão nos cabos, teste o motor de arranque e o relé, e diga qual peça falhou antes de trocar. Se for preciso levar o carro, o guincho com plataforma evita arrastar o carro com as rodas travadas ou com o câmbio em condição ruim.

Se o carro apagou na rua, é mais seguro pedir o reboque do que ficar tentando a partida: cada tentativa gasta bateria que o eletricista vai precisar ver em condição normal para fazer o diagnóstico.