Chuveiro elétrico não deve ser ligado em tomada comum: a corrente que ele puxa é alta e o contato do plug esquenta até derreter. O jeito correto é a ligação direta dos fios do chuveiro aos do circuito, com conector de porcelana ou borne apropriado, em um circuito exclusivo com disjuntor e fio terra.
Por que a tomada não é o lugar do chuveiro
A potência de um chuveiro elétrico costuma ficar na faixa de 4.000 a 7.500 W, conforme o modelo e a posição da chave. Quanto mais potência e quanto menor a tensão da rede, maior a corrente. Dá para estimar dividindo a potência pela tensão.
| Potência | Corrente em 127 V (aprox.) | Corrente em 220 V (aprox.) |
|---|---|---|
| 4.500 W | cerca de 35 A | cerca de 20 A |
| 5.500 W | cerca de 43 A | cerca de 25 A |
| 7.500 W | cerca de 59 A | cerca de 34 A |
São contas aproximadas feitas a partir da potência de placa; o valor real depende do modelo. Mesmo assim, ficam claras duas coisas: em 127 V a corrente é muito maior que o limite de uma tomada, e em 220 V ela passa do limite de uma tomada de 20 A a partir de uns 4.400 W. Em uso diário, o contato do plug esquenta, escurece e acaba derretendo.
Comparando as formas de ligar
| Forma de ligação | Corrente suportada | Risco | Veredito |
|---|---|---|---|
| Tomada de 10 A | Bem abaixo do necessário | Derrete e pode pegar fogo | Não usar |
| Tomada de 20 A | No limite com 4.400 W em 220 V e abaixo do necessário acima disso; insuficiente em 127 V | Aquece com o uso, mau contato | Não usar |
| Conector de porcelana | Projetado para correntes altas | Baixo, se bem apertado e com cabo adequado | Indicado |
| Borne ou bloco de ligação apropriado | Projetado para correntes altas | Baixo, se bem apertado | Indicado |
| Emenda com fita isolante | Sem limite definido; esquenta | Alto: solta com o vapor, escurece, pode dar curto | Não usar |
| Torcer fios e deixar expostos | Sem proteção | Muito alto | Nunca |
Como é a ligação correta
Esta é a ligação que o eletricista faz, e não um passo a passo para quem não é do ramo:
- O eletricista desliga o disjuntor do circuito do chuveiro, no quadro, e confirma que o chuveiro não liga.
- Os fios do circuito saem da parede, com bitola compatível com a potência do chuveiro e protegidos por um disjuntor exclusivo.
- Cada fio do chuveiro é unido ao fio correspondente do circuito por conector de porcelana ou borne, bem apertado e isolado.
- O fio terra do chuveiro é ligado ao condutor de proteção da instalação, nunca ao cano de água.
- Antes de religar o disjuntor, o chuveiro fica com a água correndo, para a resistência não ser energizada seca.
- Com a água correndo, o disjuntor é religado e se faz um teste de aquecimento nas posições do chuveiro.
O que o morador faz é observar: se o chuveiro funciona normalmente, se não há cheiro de queimado nem marca escura no ponto da parede e se ninguém sentiu formigamento no registro.
Chuveiro sem tomada, com tomada, ou com conector: o que significa cada uma
Muita gente procura "como instalar chuveiro elétrico sem tomada" achando que é uma gambiarra. Na verdade, ligar o chuveiro direto, sem tomada, é a forma correta. A tomada só aparece em instalações antigas, em que alguém aproveitou um ponto de força existente.
O conector de porcelana é uma peça com furos e parafusos, em que as pontas dos fios são apertadas, e a porcelana aguenta o calor sem derreter. É diferente de uma tomada, que tem contatos de encaixe e depende de pressão de mola.
Sinais de que o chuveiro está ligado do jeito errado
- Plug ou tomada quentes ao toque depois do banho.
- Plástico escurecido, amolecido ou derretido.
- Cheiro de queimado perto do chuveiro.
- Disjuntor que desarma durante o banho.
- Chuveiro que esquenta pouco, por queda de tensão no contato ruim.
- Fios do chuveiro ressecados ou com a isolação rachada.
- Emenda com fita isolante no lugar do conector.
Tensão e disjuntor: o que conferir antes de comprar o chuveiro
Casas brasileiras têm rede de 127 V ou 220 V, e o chuveiro precisa ser do mesmo valor da rede. O disjuntor e a bitola do cabo seguem a potência de placa do chuveiro: dois modelos de potências diferentes podem pedir circuitos diferentes. Na embalagem e no manual do chuveiro, o fabricante indica a corrente e a bitola mínima do cabo.
Por isso, ao trocar o chuveiro por um de potência maior, o circuito também deve ser avaliado. Chuveiro mais potente em circuito antigo aquece o cabo e desarma o disjuntor, e o problema não está no chuveiro.
E o chuveiro com resistência trocada ou chave de verão e inverno?
Trocar a resistência é uma tarefa que muitos moradores fazem, e ela exige o disjuntor do chuveiro desligado durante a troca e a água correndo antes de religar. Mesmo assim, a troca da resistência não corrige uma ligação feita em tomada ou com emenda de fita: o defeito está na conexão, não na peça. Quem troca resistência com frequência, ou vê a nova queimar em pouco tempo, deve olhar para a ligação e para a pressão da água, antes de culpar a peça.
Já a chave de posição (verão, inverno, desligado) mexe na potência do chuveiro, e a posição inverno é a que mais exige do circuito. Se só nessa posição o plug esquenta ou o disjuntor desarma, o circuito está no limite.
Quando chamar um técnico
Se o seu chuveiro está ligado em tomada, chame um eletricista para refazer a conexão. É um serviço simples para o profissional, e evita derretimento do plug, curto e incêndio.
Chame também se:
- o plug ou a tomada esquentam durante o banho;
- o disjuntor desarma com frequência;
- não existe fio terra no banheiro;
- a emenda dos fios foi feita com fita.
Na visita, pergunte qual será a bitola do cabo, qual o disjuntor indicado para a potência do seu chuveiro, se o circuito vai ser exclusivo, se o aterramento está em ordem e se vale incluir um DR no circuito do banheiro. Peça também que o serviço termine com teste de funcionamento nas posições morna e quente.