Lâmpada de vapor de sódio ou de vapor metálico não liga direto na tomada: ela depende de um reator em série, em geral de um ignitor para dar a partida e, em muitos conjuntos, de um capacitor para corrigir o fator de potência. O diagrama impresso no reator mostra a ordem dos fios, e a ligação deve ser feita com a energia desligada, de preferência por eletricista.

Esse tipo de iluminação aparece em quintal, galpão, garagem e poste, lugares em que o serviço costuma exigir altura e equipamento. Entender o conjunto ajuda a comprar as peças certas e a decidir se vale manter ou trocar por LED.

Por que a lâmpada precisa de reator

Lâmpadas de descarga acendem por um arco elétrico dentro do tubo. Esse arco tem uma característica: quanto mais corrente passa, menos resistência ele oferece, e a corrente tende a crescer sem controle até queimar a lâmpada. O reator limita a corrente e estabiliza o arco.

Por isso:

  • a lâmpada e o reator precisam ter a mesma potência (um reator de 250 W não serve para lâmpada de 400 W);
  • o tipo importa: reator de vapor de sódio e reator de vapor metálico não são intercambiáveis sem conferir o diagrama e a especificação do fabricante;
  • a tensão precisa bater com a da rede (127 V ou 220 V).

Os componentes do conjunto

Componente Função Quando aparece
Reator Limita a corrente e estabiliza o arco Sempre
Ignitor Gera um pulso de alta tensão para iniciar o arco Em vapor de sódio, e em alguns conjuntos de vapor metálico; o diagrama do reator informa
Capacitor Corrige o fator de potência e reduz a corrente absorvida da rede Em muitos conjuntos; o diagrama indica o valor
Soquete Conecta a lâmpada à fiação Sempre, com rosca adequada à potência (E27 para potências baixas, E40 para as altas)
Luminária Abriga o conjunto e dissipa calor Sempre, com grau de proteção para ambiente externo

O ignitor produz pulso de tensão alta, que só existe em equipamentos próprios para isso. Por esse motivo, a ligação e a manutenção do conjunto não são para improviso.

Esquema de ligação: o que o eletricista segue

A lógica geral é esta:

  1. A fase da rede entra no reator.
  2. A saída do reator segue para o soquete da lâmpada, passando pelo ignitor quando ele é exigido.
  3. O neutro vai direto ao soquete, ou ao ponto indicado no diagrama.
  4. O capacitor é ligado entre fase e neutro (em paralelo com a entrada), conforme o desenho.
  5. O terra da luminária é ligado ao aterramento.

O que muda de fabricante para fabricante é a identificação dos bornes. O diagrama colado no reator mostra "rede", "lâmpada", "ignitor" e "capacitor". O eletricista segue esse desenho, e não a lógica de memória. Invertendo ligações, a lâmpada pode não acender, queimar o ignitor ou danificar o reator.

Vapor de sódio × vapor metálico

Aspecto Vapor de sódio Vapor metálico
Cor da luz Amarelo-alaranjada Branca, mais próxima da natural
Uso comum Poste, rua, áreas externas Quadra, galpão, fachada, comércio
Ignitor Em geral exigido Depende do tipo e do reator
Reprodução de cores Pior reprodução de cores Melhor reprodução de cores

A diferença na reprodução de cores faz o vapor metálico ser preferido onde a cor do objeto importa, como fachadas e áreas comerciais.

Comportamento da lâmpada

  • Demora para acender: a lâmpada leva alguns minutos para atingir a luz plena. Isso é normal.
  • Religar quente: se a lâmpada apagar, ela costuma precisar esfriar alguns minutos antes de reacender.
  • Calor: a lâmpada e a luminária esquentam muito. Qualquer manutenção é feita com o circuito desligado e a luminária já fria.
  • Quebra: lâmpadas de descarga contêm mercúrio em pequena quantidade e não podem ir ao lixo comum. Procure pontos de coleta.

Comparação de consumo com refletor LED

Um exemplo de conta com valores aproximados, só para dar ideia:

Item Vapor metálico 400 W Refletor LED equivalente
Potência da lâmpada 400 W Em torno de 150 a 200 W, conforme o modelo
Reator Consome uma parcela extra Não tem
Consumo em 12 h por dia, 30 dias Pelo menos 144 kWh por mês, só a lâmpada Entre 54 e 72 kWh por mês
Tempo para acender Alguns minutos Imediato
Manutenção Lâmpada, reator, ignitor, capacitor Normalmente o refletor inteiro

A conta de 144 kWh vem de 0,4 kW × 12 h × 30 dias, sem contar as perdas do reator. O LED de 150 W dá 54 kWh, e o de 200 W dá 72 kWh. Para saber em reais, multiplique pela tarifa da sua conta de luz. A equivalência de luz deve ser conferida pelos lúmens informados na embalagem, e não só pela potência.

Quando vale trocar por LED

A troca costuma compensar quando:

  • a lâmpada fica ligada muitas horas por dia;
  • o reator ou o ignitor está falhando;
  • a luminária está velha ou enferrujada;
  • a luz demora para acender e atrapalha o uso.

Ao trocar, o eletricista remove o reator, o ignitor e o capacitor do circuito, ou usa um refletor LED completo. Não é indicado "aproveitar" o reator no LED.

Como escolher o conjunto na compra

Ao comprar reator, ignitor ou lâmpada, algumas informações evitam retrabalho:

  • Anote a potência da lâmpada instalada e a tensão da rede (127 V ou 220 V).
  • Leve a luminária ou uma foto do conjunto à loja, incluindo a etiqueta do reator.
  • Compre reator e ignitor compatíveis entre si, de preferência do mesmo fabricante, e pergunte se o conjunto vem com capacitor.
  • Verifique o soquete: lâmpadas de potência maior usam rosca mais larga (E40), e soquete de potência menor não suporta o calor.
  • Prefira reator com o diagrama de ligação impresso na caixa.

Reatores sem identificação clara ou muito baratos costumam aquecer demais e dão problema cedo. O diagrama é o que permite ao eletricista ligar sem adivinhar, e é a primeira coisa a procurar na etiqueta.

Quando chamar o eletricista

Chame um profissional quando:

  • a luminária está em poste, telhado alto ou galpão, o que exige escada longa, andaime ou cesto;
  • a lâmpada acende e apaga, ou não acende com lâmpada nova;
  • há cheiro de queimado, ruído forte no reator ou fio derretido;
  • é necessário trocar reator, ignitor ou capacitor;
  • você quer migrar para LED.

Na visita, peça ao eletricista que:

  • informe a potência e o tipo do reator e da lâmpada que usará;
  • mostre o diagrama de ligação do reator;
  • confirme o aterramento da luminária;
  • compare lúmens e consumo da opção LED com o conjunto atual.

Se o conjunto antigo ainda funciona bem e fica ligado poucas horas, mantenha e troque só a peça que falhar. Se está sempre ligado, a conta da energia ao longo dos meses costuma pesar na decisão.